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Doença Oclusal. E isto existe?

A idéia de que possamos reabilitar uma oclusão necessita que se defina uma doença a ser reabilitada. Certamente pensando nisto é que Lytle* definiu parâmetros para a DOENÇA OCLUSAL. Da doença inicial ao quadro de colapso total da oclusão, apresentou sinais chaves que permitem diagnosticar um quadro patológico. A tipificação de facetas de desgaste, padrões de migração e alteração óssea alveolar permitem que reconheçamos clinicamente um quadro de anomalia que vai muito além da destruição de um único dente.

A doença oclusal manifesta-se em todo o corpo. Alterações na postura, na qualidade do sono, no sistema imunológico e na própria qualidade de vida ** associadas à doença oclusal foram demonstradas. A este quadro de doença sistêmica associada à doença oclusal, o Dr. Muratso denominou “Hazo disease”. Doença do dente-orgão como repete inumeras vezes no seu texto. Afirma de maneira conclusiva que os dentes estão intimamente relacionados com nossas vidas pois eles afetam o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso central. Então temos a definição de uma doença, a doença oclusal. As terapias que podemos propor para tratar esta classe de doença devem seguir um diagnóstico. Daí considerarmos fundamental a elaboração de um diagnóstico oclusal. Daí propormos que todo paciente que procure auxilío profissional para tratar qualquer destruição dentoalveolar seja submetido a tal diagnóstico. Com o uso de, no mínimo, um bom exame clínico, uma radiografia panorâmica e o par de modelos em gesso montados a partir do registro em relação central em um articulador, podemos identificar o quanto de desequilibrio biomecânico está presente. Ao reconhecer a existência da DOENÇA OCLUSAL a odontologia toma um novo rumo. Segue na direção da MEDICINA OCLUSAL. Tema que deverá ocupar futuras postagens.

*Lytle, J.D. The clinician’s index of occlusal disease: Definition, recgonition, and management. International Journal of Periodontics and Restorative Dentistry, Vol. 10, pp. 103-123 1990
** Muratso, Kazumasa. Theeth are our organs, KOS, Japão, 2009

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